02/07/2020

Casarão da Memória será aberto após o término da quarentena

Casarão da Memória será aberto após o término da quarentena

Anúncio foi feito pelo prefeito Rodrigo Ashiuchi durante visita técnica ao espaço permanente de preservação cultural de Suzano

Os serviços de implantação do Casarão da Memória Antonio Marques Figueira foram finalizados e o local será aberto oficialmente após o término das medidas de isolamento social, exigidas pelos órgãos de saúde por causa da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). O anúncio foi feito pelo prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi, durante visita técnica realizada no espaço permanente de preservação e educação patrimonial na tarde desta quinta-feira (02/07).

Também participaram da vistoria a primeira-dama Larissa Ashiuchi; o chefe de Gabinete, Afrânio Evaristo da Silva; o presidente da Câmara Municipal, vereador Joaquim Rosa; a presidente do Conselho Municipal de Cultura, Cleide Tomioka; e integrantes da equipe da Secretaria Municipal de Cultura, como José Luiz Spitti, Geraldo Garippo e Rita Paiva. Também estiveram presentes os familiares do patrono do Casarão da Memória, como netos, bisnetos e tataranetos.

O imóvel, localizado na rua Campos Salles, no centro, foi totalmente revitalizado, com um investimento de R$ 210 mil. Passou por intervenções na infraestrutura, nos pisos e nos sistemas elétrico e hidráulico, mantendo a configuração original. Também foi realizado um trabalho de cenografia, para que o visitante possa ter uma experiência de imersão sobre a história suzanense, tendo à sua disposição exposições temáticas.

Além disso, pode ser encontrado ainda um setor de salvaguarda documental – para preservação de documentos de interesse histórico –, uma biblioteca especializada para pesquisas e uma área de apoio ao artesanato local, o que torna o Casarão da Memória um novo espaço para o cidadão acessar bens artísticos.

Em discurso emocionado, Jamil Marques Figueira, que é bisneto do patrono, agradeceu pelo empenho da Prefeitura de Suzano em resgatar o local dando a devida importância à questão cultural do município. “Nossa família espera isso há cerca de 15 anos. E agora o projeto saiu do papel. Temos muito orgulho do que o casarão se transformou. Será um local de grandes eventos e de muitas histórias contadas de várias formas e com muito amor”, disse ele, que estava acompanhado de outros familiares, como a neta do patrono Sonia Maria Marques e o também bisneto Alberto Marques Figueira.

A diretora Rita Paiva explicou que o cidadão suzanense poderá colaborar com a composição do acervo. Ela ressaltou a participação do público, por meio de histórias contadas em fotos, informações, documentos e, assim, contribuir com todo o amor por Suzano.

Ashiuchi disse que o Casarão da Memória tem como missão fazer um resgate dos 71 anos de história do município. E, com isso, valorizar o processo histórico de cada colônia, personalidade e migrantes ao longo das décadas. Para o prefeito, conhecer a história é fundamental também para aprendermos com os erros do passado e sermos mais assertivos no futuro.

História do Casarão
O ano era 1879 quando Antonio Marques Figueira, feitor de uma das turmas de trabalhadores da estrada de ferro, decidiu construir sua casa naquele vilarejo que mais tarde se transformou na cidade de Suzano. E assim ergueu um casarão, que ficou pronto no dia 22 de maio de 1885.

No local, ele e sua esposa, Emília de Siqueira, fixaram residência. Cinco anos depois chegou Thomé Marques Figueira, irmão mais novo de Antonio, que também passou a morar na propriedade. Era o início da trajetória da família na cidade. Juntos, os irmãos construíram propriedades agrícolas que atraíram novos moradores, dando início a um pequeno povoado às margens da ferrovia.

A edificação de dois andares, que hoje só pode ser vista pela rua Campos Salles, contava com um pomar nos fundos e a entrada era pela rua de trás, a Doutor Prudente de Moraes. As janelas do imóvel são do século XIX e os ladrilhos da varanda datam a sua construção.

Em 1946, o casarão foi comprado pelo português Luis Manuel do Rego, por 50 mil cruzeiros. O registro do imóvel descreve a propriedade, situada em uma área de mais ou menos 3 mil metros quadrados, como uma casa assobradada de construção moderna, em má estado de conservação e com um pequeno pomar abandonado.

Patrono
Antonio Marques Figueira nasceu em Figueira da Foz, Portugal, no dia 28 de maio de 1856, chegou ao Brasil sozinho, aos 20 anos. Trabalhou na estrada de ferro em São José dos Campos e aos 23 anos foi transferido para Suzano.

No município, trabalhou também no comércio de lenha, que vendia à ferrovia para abastecimento dos trens movidos a carvão. E, assim, foi adquirindo terras em Suzano – na época uma ninharia –, para extrair madeira.

O transporte era feito por carros de boi, comuns nas ruas da cidade. A atividade foi aos poucos atraindo os primeiros moradores ao local, que viam uma perspectiva de progresso com a construção da ferrovia.

Naquele período, dedicou-se ao comércio. Vendia produtos importados que iam de ferramentas da Inglaterra a vinhos e azeitonas de Portugal. O estabelecimento funcionava no cruzamento das atuais ruas General Francisco Glicério e Campos Salles.

A planta da cidade foi encomendada ao conde João Romariz, que tinha pastagens na Vila Amorim. Era o primeiro arruamento da cidade, com ruas delimitadas em quarteirões, a partir da linha do trem, e um espaço para a construção de uma praça e uma capela. A urbanização ficou por conta do engenheiro Portugal Freixo.

Antonio Marques Figueira tinha noção de cidade, urbanização e civilidade monumental. Era o grande líder e foi dele a iniciativa de criar a cidade, a capela e a primeira banda de música.

Em agosto de 1890, o general Francisco Glicério Cerqueira Leite, então ministro de Agricultura, Comércio e Obras Públicas do governo de Deodoro da Fonseca, aprovou a planta por meio de um decreto federal. A fundação oficial da vila ocorreu em 11 de dezembro de 1890, quando o pequeno povoado passou a se chamar “Vila da Concórdia”.